segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dupla miopia

O conceito de miopia de marketing, como cunhado por Theodore Levitt, não cansa de se atualizar. O caso mais recente envolveu a fabricante de sapatos e bolsas Arezzo, que depois de criar uma linha para o inverno 2011 denominada Pelemania, se viu obrigada a retirar parte dos produtos das lojas em função dos protestos que incendiaram as redes sociais.

A linha utilizava peles sintéticas e peles de animais como coelhos, ovelhas e raposas, iniciativa que sofreu ataques de ambientalistas, defensores dos direitos dos animais, internautas. A defesa da Arezzo foi tirar o corpo fora, em uma nota divulgada no dia 18/4. “Não entendemos como nossa responsabilidade o debate de uma causa tão ampla e controversa. Um dos nossos principais compromissos é oferecer as tendências de moda de forma ágil e acessível aos nossos consumidores”. (Leia a nota na íntegra aqui)
Reprodução
O“Projeto SalvaCao” postou uma montagem no Twitter, comparando os produtos da marca com animais mortos.
 
O erro da Arezzo foi não ter ouvido seu público. No mínimo, a empresa deveria ter feito uma 
pesquisa de opinião para mensurar a recepção do público a uma coleção com peles de animais. Num ambiente crescentemente preocupado com a ecologia e os direitos dos animais, ainda que continuem a existir compradores de peles naturais e de produtos feitos a partir desses materiais, o correto do ponto de vista do marketing seria justamente pesquisar o impacto de uma coleção com este apelo. A empresa parece ter se preocupado apenas em seguir uma tendência de moda internacional, sem olhar para seus consumidores e para o ambiente em torno da sua marca. A miopia de marketing, aqui, é exatamente traçar uma estratégia sem que ela esteja inserida no contexto de seu público.
Mas não se trata somente de miopia de marketing. Num mundo cada vez mais antenado com as questões ecológicas, em que cresce a preocupação ambientalista, a gestão da marca não soube medir os impactos sobre a sua imagem. O resultado é um movimento crescente de boicote à Arezzo, estampado na página da empresa no Twitter e no Facebook - mensagens que a empresa já deletou, levantando ainda outra questão hoje bastante importante em termos de Comunicação de Marketing, a transparência e o respeito a seu público. Nas redes sociais, cresce o boicote. Só num perfil criado no Facebook, já existem mais de 5 mil seguidores (confira aqui).
 
 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quando o chumbo invade o batom

A maioria dos cosméticos que utilizamos diariamente está contaminada com toxinas capazes de causar diversos problemas de saúde, como câncer, dificuldade de aprendizado e até infertilidade masculina. O alerta está no vídeo The Story of Cosmetics, lançado no final de julho pelo projeto The Story of Stuff, que já produziu outros documentários no mesmo estilo (A História das Coisas, A História da Água  e a História do Comércio de Emissões - Cap & Trade, que podem ser conferidos no site do projeto).  A apresentadora Annie Leonard afirma que o uso contínuo de cosméticos está adoecendo toda a sociedade. 

Annie levanta pontos importantes referentes ao processo de decisão de compra do consumidor, mostrando os tipos de argumento que as empresas usam para atrair e estimular o consumo de determinados cosméticos.
O vídeo provocou reações como a proposição por alguns deputados de uma lei dos cosméticos seguros, que substituirá a atual legislação que já tem 70 anos, e dará autoridade à agência norte-americana FDA para garantir que o produtos de higiene pessoal estarão livres de ingredientes perigosos à saúde.

The Story of Cosmetics também foi chamado de "shockumentary", pelo Conselho de Produtos de Uso Pessoal. Shockumentary é um tipo de gênero de filmes documentais, algumas vezes parecidos com documentários de ficção, representando temas e cenas sensacionalistas

Confira abaixo o vídeo completo, com legendas em português. Ainda não há tradução oficial do vídeo.


The Story of Cosmetics (Português) from Guilherme Machado on Vimeo.


Enquanto assistimos ao vídeo, uma pergunta fica no ar: e no Brasil?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A ONU declarou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade. Agora em agosto, algumas empresas decidiram se organizar para criar o Movimento Empresarial pela Proteção e Uso Sustentavel da Biodiversidade. A iniciativa, que reúne as empresas Alcoa, Natura, Vale, CPFL Energia e Wal Mart, pretende criar um ambiente para o desenvolvimento da biodiversidade. O evento, a ser realizado na Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, no dia 5 de agosto, contará com a presença, dentre outras autoridades e lideranças, da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Está previsto ainda o lançamento da Carta Empresarial pela Proteção e Uso Sustentável de Biodiversidade.
Além da cerimônia em si, é momento de discutir o que estas empresas entendem como biodiversidade e, mais especificamente, "ambiente propício para seu desenvolvimento".

Seis peças de roupa ou menos?

Não comprar nenhuma peça de roupa durante um ano inteiro ou usar apenas seis itens, ou menos, dos que já fazem parte do seu armário durante um mês. É o desafio “Seis peças ou menos”, lançada na internet por duas amigas americanas e que já tem aderência de cerca de cem pessoas espalhadas por diversos países.

Segundo Heidi Hackemer, uma das idealizadoras do projeto, o objetivo é “aguçar a criatividade das pessoas, para que invistam em acessórios e em outras maneiras de usar a mesma peça e, ao mesmo tempo, economizar dinheiro”.

“O importante é que as pessoas que aderiram à iniciativa levantaram a questão de como elas se relacionam com o que tem no armário e o que se ganha com isso”, afirma Eric Wilson, jornalista que entrevistou os participantes. “Elas destacaram que há uma preocupação com o que se gasta com roupas e o que se ganha com isso. O resultado dessa ‘dieta’ é que as pessoas vão ficar mais conscientes a respeito da forma com que se compram roupas”.

E você? Consegue escolher apenas seis peças do seu armário para usar durante 30 dias? Acesse o site, faça seu cadastro e conte sua experiência para consumidores do todo o mundo.

Clique aqui para assistir à reportagem feita pelo jornal americano New York Times sobre esta iniciativa e ver como Heidi conseguiu vencer esse desafio.

Fonte: Instituto Akatu